Eu nunca senti tanto receio na minha vida como agora. Eu usei receio pra não ser muito pesada, pessimista, dramática, mas o certo mesmo (mesmo) é medo! Eu nunca senti tanto medo na minha vida como agora. O desconhecido sempre foi uma coisa que nunca me agradou muito. Tá, tudo bem que não agrada a ninguém. Pois bem, a mim também não. Nem um pouco. E neste momento da minha vida eu estou com medo dele: do desconhecido.
Minha psicóloga sempre me disse que medo é importante, fundamental, mas que ele passa a ser perigoso quando começamos a deixar de fazer algo por ele. Faz todo sentido. O medo nos faz ter cautelas, limites, prudência, (ansiedade e insegurança também), mas ele só não pode nos paralisar. E disso eu sempre tive muito orgulho, sabe? Quando desafiada pela minha psicologa a não deixar o medo fazer com que eu desista das coisas, eu, num discurso retumbante, respondo, na ponta da língua, que o medo é meu companheiro sim, mas que eu nunca deixei de fazer nada, NADA de importante na minha vida por ele. Me sinto brava! Vitoriosa. Enfim. E olhando pra trás, eu observo isso claramente. Meu Deus! Quantas vezes fui posta à prova do desconhecido e o enfrentei corajosamente, com todo o meu medo, e o venci. Agora não pode ser diferente.
Mas agora é diferente. Por si só, é diferente. Eu nunca fui posta à prova de um desafio desse tamanho. É um gigante. (Pois que seja! Será uma briga de gigantes, então!) Essa é a voz que fica gritando aqui dentro nas minhas horas de maior coragem, o que não quer dizer que é a maioria das horas. Mas sem perder o foco, eu acredito ter bons motivos pra tanto medo e eu não vou os revelar aqui. São muito meus e só meus. Só o meu íntimo sabe deles e mais ninguém e, egoisticamente, eu nao quero mesmo dividi-los com ninguém. Ou quero? Na minha crença, ninguém é capaz de compreendê-los ou de dar a mesma importância que eu os dedico. Eu não quero ouvir o discurso da minha psicologa. Esse eu já sei de cor, então, prefiro nao dividi-los.
Desse medo todo, eu, realmente, só espero uma coisa, que eu vença, mais uma vez, a luta para deixá-lo no seu devido lugar: ao meu lado e não à minha frente.